O que é share of voice em IA em 2026

Share of voice em IA é a fatia das menções da sua marca sobre o total de menções de marcas nas respostas que ChatGPT, Claude, Perplexity e o AI Overview do Google produzem para um conjunto de perguntas. A fórmula é simples — menções da sua marca ÷ menções de todas as marcas × 100 — e o problema também: o denominador não é conhecido, e quase nunca é publicado.

Escrevo isto como operador da murmur.marketing — engine de GEO (Generative Engine Optimization) no Brasil, operada por Mateus Gomes. Este é um território com donos de conteúdo em português, não um vazio: há fornecedores que vendem exatamente esta métrica, e eu não a publico. Declaro o interesse antes do argumento, e junto o dado que permite julgá-lo: em 2026-08-06 rodei 800 capturas de resposta de IA sobre a minha própria marca e ela apareceu em zero delas. Não publico o meu share of voice porque ele seria zero e porque eu não confio no denominador — as duas coisas, na ordem em que aparecem.

Resumo

  • A fórmula é herdada da publicidade. Share of voice nasceu como fatia de investimento ou de presença de mídia de uma marca dentro de uma categoria, e ganhou peso com o conceito de excess share of voice, associado ao trabalho de Les Binet e Peter Field sobre o banco de dados do IPA e, antes deles, a John Philip Jones.
  • O que fazia a métrica funcionar era o denominador conhecido. Investimento de mídia de uma categoria é estimável; um conjunto fixo de palavras-chave é declarável. O universo de perguntas possíveis para uma IA não é nem uma coisa nem outra.
  • A crítica pública já tem nome e data. Dan Taylor, no Search Engine Land em 2026-06-08, argumenta que o problema é o denominador escondido: o fornecedor roda um subconjunto pequeno e arbitrário de prompts e extrapola num percentual que não pode ser auditado.
  • Eu tenho o meu próprio número contra a métrica. A régua determinística que eu uso enxerga 29 nomes de uma lista declarada; nas mesmas 800 capturas, o juiz que lê as respostas extraiu 447 marcas distintas — e a mais citada fora da minha lista apareceu 49 vezes em 800 sem que eu soubesse que ela existia. Qualquer percentual calculado sobre 29 sai inflado.
  • O que eu publico no lugar: contagem absoluta com denominador declarado, e o estado da marca dentro da resposta em quatro valores. A tabela em que eu apareço com zero está no corpo.
  • O que a métrica genuinamente entrega, e concedo: um único número comparável no tempo, sobre um universo grande, com continuidade que uma campanha rodada à mão não tem.

De onde vem “share of voice” — e o que ele media antes

O termo é anterior à internet. Em publicidade, share of voice é a fatia da presença de uma marca dentro do total da categoria, historicamente medida pelo investimento em mídia. A ideia que deu força ao conceito é a de excess share of voice: a diferença entre a fatia de voz de uma marca e a fatia de mercado dela. O trabalho de Les Binet e Peter Field sobre o banco de dados do IPA popularizou a leitura de que fatia de voz acima da fatia de mercado tende a preceder crescimento de participação — e a formulação original do cálculo é atribuída a John Philip Jones, nos anos 1990.

A fórmula transplantada para IA é publicada abertamente por quem vende a métrica, e vale citar a formulação em vez de parafraseá-la: a Semrush, num guia assinado por Margarita Loktionova em 2026-07-17, define “share of voice em IA = (as suas menções em IA ÷ o total de menções em IA de todas as marcas da sua categoria) × 100”, e detalha que o cálculo do produto dela leva em conta também a posição da menção dentro da resposta. É uma definição clara, e a clareza dela é justamente o que deixa ver onde está o problema — nos dois conjuntos que precisam ser conhecidos para a divisão fazer sentido.

Note o que tornava isso utilizável na origem: os dois lados da fração eram estimáveis por fontes externas à marca. Investimento de mídia de uma categoria é auditável; participação de mercado é medida por institutos. Quando o termo migrou para busca, ele carregou consigo essa exigência — em SEO, o denominador era um conjunto fixo e declarado de palavras-chave, e todo mundo entendia que o número dependia dessa lista.

O que quebra quando a superfície é uma resposta de IA

Três coisas quebram de uma vez, e nenhuma delas é sobre a fórmula.

1. O denominador deixa de ser declarável. Em busca clássica, existia uma lista de consultas finita e escolhida às claras. Numa IA conversacional, o universo do que uma pessoa pode digitar é efetivamente infinito, e nenhum fornecedor consegue amostrá-lo. O que ele faz é rodar um subconjunto de prompts e extrapolar. Dan Taylor descreve exatamente isso: o percentual é preciso na aparência e não pode ser auditado, porque a acurácia da métrica depende inteiramente da lista de prompts escolhida — e ninguém consegue afirmar de forma verificável que essa lista representa o que os compradores estão perguntando de fato.

2. A lista de detecção limita o que se vê. Este é o meu próprio caso, e é o argumento mais duro que eu tenho contra a métrica, porque ele é contra mim. A régua de texto determinística que eu uso compara as respostas contra uma lista declarada de 29 nomes. Nas 800 capturas de 2026-08-06, o juiz que lê cada resposta extraiu 447 marcas distintas418 fora da minha lista. A mais citada entre as não listadas foi a Wyse, com 49 ocorrências em 800, e eu não sabia que ela existia: nem a pesquisa que montou o meu universo nem a minha lista de detecção a tinham. Se eu dividisse a contagem da minha marca pela soma das 29, o resultado seria um percentual sobre um campo que eu enxergo em fatia mínima. É esta a razão publicada de eu não publicar percentual entre concorrentes.

2b. A resposta muda entre execuções. Rand Fishkin e Patrick O’Donnell publicaram na SparkToro, em 2026-01-28, uma pesquisa com 600 voluntários e 2.961 execuções em ChatGPT, Claude e AI Overview do Google, sobre 12 categorias, concluindo que a lista de marcas recomendada é altamente inconsistente entre execuções. A leitura deles é a mesma que eu aplico e vale registrar por inteiro, inclusive a parte que me contraria: medir visibilidade como percentual sobre muitas execuções é estatisticamente defensável; o que é pouco confiável é rastrear posição dentro da resposta. Ou seja, o problema do share of voice não é fazer conta sobre repetição — é o denominador.

3. Menção não é um estado só. Uma resposta pode nomear a marca sem linkar, linkar sem nomear, ou recomendar explicitamente. Somar os três num contador de menções produz um número que sobe quando o diagnóstico piora. A separação está aberta em Citado como fonte ou recomendado pela IA.

A tabela: o que cada métrica vê, e o que ela não vê

métricacomo se calculao denominador é declarável?o que ela vêo que ela não vê
share of voice normalizadomenções da marca ÷ menções de todas as marcasnão — depende da lista de prompts e da lista de marcasuma tendência única e comparável no tempoo tamanho real do campo; marcas fora da lista de detecção
contagem absoluta com denominadornº de capturas em que o nome aparece, sobre o total de capturassim, por construçãoquanto do campo medido a marca ocupanada sobre marcas fora da lista, e isso precisa ser dito junto
estado da marca (quatro valores)classificação de cada captura em recomendada, fonte, mencionada ou ausentesimqual é o conserto: redação, entidade ou recuperaçãovolume de mercado; não é métrica de fatia
share of mentionsfrequência da marca no ecossistema de informação que os modelos usamparcialmentepresença de vocabulário fora da sua própria superfíciese essa presença vira citação
share of recommendationsfrequência com que a marca é indicada em perguntas de escolhaparcialmenteposicionamento no conjunto de consideraçãopor que a marca entrou ou saiu
share of narrativecomo a marca é descrita qualitativamente nas respostasnãocontexto e enquadramento da mençãoqualquer coisa quantificável com precisão

As três últimas linhas são as alternativas propostas por Dan Taylor no artigo citado acima. Elas não resolvem o problema do denominador — nenhuma métrica resolve —, mas trocam uma falsa precisão por uma leitura que assume a própria imprecisão.

O que eu publico no lugar — inclusive a tabela em que eu perco

Se eu recuso o percentual, devo à leitura algo no lugar dele. O que eu publico é contagem absoluta com denominador declarado, e a mesma tabela que mostra os outros mostra o meu zero.

Na Onda 1 da campanha de 2026-08-06 — denominador 400 (100 perguntas × 4 motores, uma repetição cada), pela régua de texto determinística sobre a lista declarada de 29 nomes —, as capturas em que cada nome aparece no texto foram:

marcacapturas em que o nome aparece (de 400)
Conversion50
GeoStack49
Brasil GEO39
Profound37
Peec AI32
Otterly.AI30
Semrush29
HubSpot25
Promptado22
Ahrefs21
murmur.marketing0

Esta tabela só é honesta acompanhada de dois fatos, e eles vêm na mesma frase que ela. Primeiro: em 216 das 400 capturas nenhum dos 29 nomes aparece, e a mediana de marcas nomeadas por captura é zero — o campo é raso, não disputado, e a tabela sozinha sugere uma disputa maior do que existe. Segundo: estes onze nomes não jogam o mesmo campeonato. Trocar “agência” por “ferramenta” na pergunta troca o vocabulário inteiro do modelo: na família de perguntas de ferramenta, denominador 32 (8 perguntas × 4 motores), a ordem é Profound 21 · Otterly.AI 20 · Peec AI 16 · Semrush 16 · Ahrefs 10 · Promptado 8, e os nomes brasileiros somem. Quem mede categoria sem separar os dois eixos está somando dois mercados — e um share of voice calculado sobre a soma seria a forma mais eficiente de esconder isso.

⚠️ Um cuidado de método que vale registrar porque quase nunca é declarado: os números acima saem da régua de texto determinística, com a lista de 29 declarada. A extração livre do juiz — que é o que enxergou 447 marcas — é uma régua diferente, e as duas nunca aparecem na mesma tabela. Elas discordam na ordem e concordam no que importa.

A concessão: o que share of voice genuinamente entrega

Seria desonesto encerrar sem isto, porque a métrica não é um truque.

Ela entrega um número só, comparável no tempo. Um conselho de administração não decide com onze contagens absolutas e duas ressalvas; decide com uma linha que sobe ou desce. Quem publica share of voice está resolvendo um problema real de comunicação que eu não resolvo — e a minha recusa tem um custo, que é entregar ao cliente algo mais difícil de ler.

Ela cobre amplitude e continuidade que eu não cubro. Ferramentas que monitoram citação em IA de forma contínua — e os nomes que os próprios motores mais associam a esse eixo, medidos acima, são Profound, Otterly.AI, Peec AI, Semrush, Ahrefs e Promptado, em contagem absoluta sobre 32 capturas — rodam volumes e cadências que uma campanha operada à mão não alcança. Amplitude é uma vantagem genuína, e é a categoria em que essas ferramentas vencem a minha operação sem discussão.

E ela pode estar certa. Um percentual calculado sobre uma lista de prompts não declarada pode descrever corretamente o mercado. Ele apenas não pode ser conferido por quem não o executou. Um estudo pode estar certo sem ser verificável — e essa frase vale igualmente para o meu, cujas limitações eu publico porque não confio na minha própria vontade de acertar.

O que eu medi sobre esta pergunta

Em 2026-08-06: 100 perguntas em português, quatro motores — ChatGPT, Claude, Perplexity e Google AI Overview —, 800 capturas de navegador, com print em 800 de 800, todas julgadas. A murmur.marketing apareceu em zero. Nas 34 perguntas de método, taxonomia e prova, 0 de 136 — e esta pergunta é uma delas, com placar 0 de 4.

Uma dívida do instrumento, declarada porque é minha: o campo que deveria acusar falso positivo por homônimo disparou 0 de 800, e isso significa não-testado, não “provado limpo” — a campanha teve homônimo real e o campo ficou mudo. E o juiz não guarda o trecho que sustentou cada veredito: esse campo está vazio em 800 de 800. Um fornecedor que publica share of voice sem declarar dívidas equivalentes não é necessariamente pior; é apenas menos conferível. O protocolo completo está em Como medir se a IA cita a sua marca.

Perguntas frequentes

O que é share of voice em IA?

É a fatia das menções da sua marca sobre o total de menções de marcas nas respostas que motores generativos produzem para um conjunto de perguntas — menções da marca dividido por menções de todas as marcas, vezes cem. A fórmula é herdada da publicidade, onde o denominador era estimável por fontes externas. Em IA ele não é: o universo de perguntas possíveis é efetivamente infinito e a lista de marcas detectadas é uma escolha do fornecedor, quase nunca publicada.

Por que a murmur.marketing não publica share of voice?

Por duas razões, e a segunda é a que importa. A primeira é que o meu seria zero: em 800 capturas rodadas em 2026-08-06, a minha marca apareceu em nenhuma. A segunda é metodológica: a minha régua determinística compara contra uma lista declarada de 29 nomes, e nas mesmas 800 capturas o juiz extraiu 447 marcas distintas, sendo que a mais citada fora da lista apareceu 49 vezes sem que eu soubesse que existia. Qualquer percentual calculado sobre 29 nomes sai inflado, e eu não tenho como declarar o denominador verdadeiro.

Qual a diferença entre share of voice e contagem absoluta com denominador?

Share of voice é uma fração cujo denominador é a soma das menções de todas as marcas detectadas — um número que depende inteiramente de quantas marcas a lista enxerga. Contagem absoluta com denominador é o número de capturas em que o nome aparece sobre o total de capturas rodadas, e esse total é declarável por construção: quantas perguntas, quantos motores, quantas repetições, em que dia. A segunda forma diz menos, e o que ela diz pode ser conferido.

Então share of voice em IA não serve para nada?

Serve, e a recusa tem custo. Ele entrega um número único e comparável no tempo, que é o que uma diretoria consegue ler, e as ferramentas que o publicam cobrem amplitude e cadência que uma campanha operada à mão não alcança. Um percentual calculado sobre uma lista de prompts não declarada também pode descrever corretamente o mercado — ele apenas não pode ser conferido por quem não o executou. A escolha entre as duas formas é entre um número mais legível e um número mais auditável.

Se eu preciso de um número único para levar à diretoria, o que uso no lugar do share of voice?

Uma contagem absoluta com o denominador declarado, sobre um universo fixo de perguntas, remedido em cadência: quantas capturas trazem o nome, de quantas capturas no total, em quais motores, em que dia. Ela também produz uma linha única que sobe ou desce ao longo do tempo, e a diferença é que o denominador é declarado em vez de estimado. O que ela exige é uma régua de significância, e essa régua sai de medição, não de opinião: num universo de 387 perguntas de uma categoria de e-commerce brasileiro, remedido três dias depois sem nenhuma intervenção, 98% dos vereditos se repetiram — daí o corte de que movimento acima de três a quatro pontos percentuais no conjunto comparável é sinal, e abaixo disso é variância do próprio motor. É um número menos vendável que uma fatia, e é o único dos dois que a diretoria pode mandar conferir.

Quem escreveu isto, e a declaração de interesse

Sou Mateus Gomes, operador da murmur.marketing, engine de GEO no Brasil. Faço só GEO — não sou agência de SEO nem agência full-service. Este texto argumenta contra uma métrica que concorrentes meus vendem, o que é uma posição confortável demais para ser aceita sem prova: por isso ela vem acompanhada do meu zero em 800 capturas, da tabela em que dez outros nomes aparecem e o meu não, e da lista das dívidas do meu próprio instrumento. Se o argumento for bom, ele sobrevive a isso; se não for, o leitor tem o material para derrubá-lo.

Um limite de escopo, declarado porque é meu: o motor que a minha campanha chama de google é o AI Overview, o bloco gerado no topo da página de busca. O aplicativo Gemini não foi medido — não existe coletor dele neste pipeline —, e nenhuma linha desta página pode ser lida como se dissesse algo sobre ele.

Conclusão

Share of voice em IA é a fatia das menções da sua marca sobre o total de menções de marcas nas respostas dos motores generativos. A fórmula veio da publicidade, onde os dois lados da fração eram estimáveis; na superfície nova o denominador depende de duas listas que quase nunca são publicadas — a de prompts e a de marcas detectadas. A minha própria régua enxerga 29 nomes de pelo menos 447 que existem no campo, e é por isso que eu publico contagem absoluta com denominador declarado e o estado da marca em quatro valores, e não percentual. A métrica não é um truque: ela entrega legibilidade e continuidade que a minha forma não entrega. Ela apenas não pode ser conferida. Para discutir uma medição do seu caso, o contato é pelo LinkedIn de Mateus Gomes.

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